COMPORTAMENTO-CÃES

 Comportamento Canino

UMA VISÃO GERAL SOBRE COMPORTAMENTO CANINO

Marcel Perez Pereira, MV 04/12/10

(Texto adaptado do livro Behavior problems in small animals: practical advice for the veterinary team, dos autores Jon Bowen e Sarah Heath)

Para entender a forma como os cães relacionam-se com as pessoas e outros cães, é importante conhecer um pouco sobre o comportamento social canino. Apesar de ter passado pelo processo de domesticação, o cão doméstico, por ser um descendente do lobo, ainda exibe diversos padrões comportamentais semelhantes aos seus ancestrais.

Caracteristicamente, o lobo é o animal mais social dentre os canídeos, vivendo em grupos de indivíduos aparentados e com estrutura social flexível. Normalmente, apenas um macho e uma fêmea da matilha procriam, sendo chamados de alfa. Ambos têm como função garantir a continuidade do grupo e, para tal, agem como líderes da matilha, controlam o acesso aos alimentos e suprimem a procriação entre os demais membros do grupo. Estes, por sua vez, auxiliam na criação dos animais jovens e na caça de presas. Portanto, os indivíduos dominantes são os que mais se beneficiam da relação com o grupo, pois conseguem ajuda para a criação de seus filhotes, para a caça de alimentos e garantem a passagem de material genético para a próxima geração. Na matilha, as fêmeas-alfa demonstram agressividade com outras fêmeas durante a época de reprodução, enquanto os machos-alfa são agressivos com estranhos que se aproximam da matilha. Interessantemente, os demais membros do grupo tendem a ser sociáveis com outros lobos e demonstram uma necessidade de interação social própria.

Apesar das semelhanças com os lobos, o cão doméstico sofreu importantes modificações no comportamento social através da íntima relação com o homem. A vivência em um ambiente focado no homem, com poucas oportunidades para interagir com indivíduos de sua espécie, faz com que poucos cães tenham a chance de construir relacionamentos sociais estáveis, livres da influência humana. Porém, muitas características ainda estão presentes, como a necessidade de interações sociais e a hierarquização em um grupo.

Marcel Perez Pereira
Médico Veterinário e Mestre em Medicina Veterinária pela FMVZ-USP

Fonte – http://comportamentocanino.vet.br/base.php?id=53 


COMUNICAÇÃO CANINA

Marcel Perez Pereira, MV – 04/12/10

(Texto adaptado do livro Behavior problems in small animals: practical advice for the veterinary team, dos autores Jon Bowen e Sarah Heath)

Dentro de uma estrutura social, a comunicação é essencial para a formação e manutenção de relacionamento. Assim como os lobos, os cães utilizam três principais métodos para tal: audição, visão e olfato. Entender o significado destes sinais é a chave para compreender muitas das alterações comportamentais apresentadas normalmente.

Comunicação auditiva: usada para uma grande variedade de sinais, os cães grunhem, rosnam, latem e emitem outros diversos tipos de sons. Muitas vezes, um mesmo som pode ter diversos significados, como o latido para brincadeira e o latido de aviso; o rosnado para defesa e o rosnado para ameaça. Dentre os lobos, o latido é raro entre os animais adultos, sendo utilizado para alertar o grupo sobre uma possível ameaça ao bando ou desafiar um lobo de fora da matilha.

Comunicação visual: nos grupos de lobos, tem um papel central para transmitir informações sobre o status social e estado emocional. Expressão corporal e facial e posição da cauda são usadas como forma de demonstrar possibilidade de conflito e rendição. Os animais dominantes são caracterizados por uma postura ereta, com cabeça, cauda e orelhas levantadas – criam a impressão de confiança e controle, enquanto os demais animais adotam uma postura mais encolhida, com cabeça, cauda e orelhas abaixadas – postura de submissão.

Comunicação olfativa: no mundo canino, a deposição de fezes, urina e secreções das glândulas anais no ambiente é um importante aspecto para a comunicação social. Os distintos odores dos animais fornecem informações variadas, como identidade, sexo e receptividade sexual. A combinação de odores é usada para indicar propriedade de uma área, frequência do uso, o quão recente o animal esteve ali, entre outros. A maior vantagem desta sinalização é que a informação fica no ambiente por um longo tempo, persistindo mesmo quando o animal não está na presente.

Marcel Perez Pereira, Médico Veterinário e Mestre em Medicina Veterinária pela FMVZ-USP

http://comportamentocanino.vet.br/base.php?id=54 


 A FORMA EFICAZ DE SE COMUNICAR COM CÃES

Marcel Perez Pereira, MV – 04/12/10

(Texto adaptado do livro O encantador de cães, do autor Cesar Millan)

“Senta”, “deita”, “vem” e “fica” – muitos cães “entendem” o significado destas palavras e obedecem a estes comandos assim que são dados. Por outro lado, apesar do adestramento, é comum observarmos proprietários nos parques gritando nervosos para que seu cão deixe de perseguir outro animal ou volte para o dono; outros repreendem algum comportamento inadequado do cão como se estivessem conversando com bebês, implorando para que o cão obedeça. Quem já passou por isso, deve ter percebido que tais métodos não funcionam para se comunicar com o cão. Imagine agora, se existisse uma linguagem universal, a qual todas as espécies conseguissem entender. Parece difícil de acreditar, mas todos os animais nascem sabendo essa linguagem instintivamente, inclusive os seres humanos. Tal linguagem universal é chamada de energia.

Energia é a linguagem da emoção. Quando uma pessoa está mal porque rompeu relacionamento, brigou com amigos ou teve problemas no trabalho, a maioria consegue “ler” que alguma coisa ruim aconteceu; quando alguém recebe uma boa notícia, recebe um presente ou está vivenciando um bom momento, a maioria das pessoas “lê” a felicidade alheia. O mesmo ocorre entre os animais: se olharmos alguns documentários sobre vida selvagem, às vezes podemos observar presa e predador no mesmo ambiente, sem que haja correria e luta; outras vezes vemos os animais em estado de caça e fuga. As presas “leem” a energia dos predadores e sabem quando eles são ou não uma ameaça. Entre os cães isso também acontece: às vezes basta a chegada de um animal instável, em um estado mais excitado, que o resto do bando também começa a ficar mais agitado, ou a responder com agressão.

É importante saber que os cães leem constantemente sua energia e eles nunca são enganados, pois a energia não mente. Se a pessoa estiver projetando uma energia frustrada, agressiva ou fraca, de nada adianta berrar para o cão para que ele desça do sofá ou da cama. Ela não está projetando a energia correta de líder – uma energia calma e assertiva. Para entender o que é esta energia, observe o terapeuta canino Cesar Millan, em seu programa “O encantador de cães”, atuando com os cães – ele sempre está calmo e confiante da sua atuação, exigindo um comportamento adequado de seus cães, mas nunca de forma agressiva ou frustrada; outro exemplo é o apresentador de telejornal Willian Bonner – tanto no telejornal quanto em entrevistas, ele fala de maneira firme, porém sempre calma.

O objetivo de projetar essa energia é obter dos cães a energia dos seguidores – calma e submissa. Aqui, submissão quer dizer que o cão está em um estado descontraído e receptivo – é a mesma energia transmitida por alunos assistindo atentamente a uma aula ou de pessoas assistindo a uma palestra, ou seja, estão receptivos e são capazes de conversar tranquilamente entre si. Entre os cães, esse estado de submissão pode ser observado nos cães de busca e resgate – durante o trabalho, eles nunca estão em um estado assertivo, mas sim de submissão ao condutor.

Marcel Perez Pereira, Médico Veterinário e Mestre em Medicina Veterinária pela FMVZ-USP

http://comportamentocanino.vet.br/base.php?id=55 


 A FÓRMULA MÁGICA PARA SE TER UMCÃO EQUILIBRADO

Marcel Perez Pereira, MV

(Texto adaptado do livro O encantador de cães, do autor Cesar Millan)

Assim como o homem, os cães também têm suas necessidades básicas, além de alimentos e de um lugar para dormir. No dia-a-dia atarefado das pessoas, muitas se esquecem de satisfazer as necessidades dos cães, alegando ter brincado o suficiente ou por ter um quintal grande. Porém, os cães precisam de muito mais do que isso para que sejam equilibrados e saudáveis, fazendo com que muitos apresentem questões comportamentais como válvulas de escape para o acúmulo de energia.

A fórmula mágica para se ter um cão equilibrado é extremamente simples, porém deve ser seguida diariamente. Consiste em oferecer ao cão exercício, disciplina e carinho, nesta ordem.

  • Exercício: é a parte mais importante da fórmula e, ironicamente, a primeira a ser esquecida. Idealmente, deve-se caminhar com o cão diariamente, de preferência duas vezes ao dia, por, no mínimo, trinta minutos. O ato de caminhar é para o cão uma atividade natural, pois é de sua natureza a migração em matilha. Os lobos caminham para caçar por até dez horas em seu habitat. Porém, a caminhada não deve ser realizada de forma desordenada, com o cão andando solto ou puxando a coleira (para maiores informações, leia a dica “Como passear (corretamente) com seu cão)“;
  • Disciplina: diferentemente de castigo ou punição, a disciplina é tudo aquilo que organiza a vida. Todos precisam ter regras, limites e restrições claros para conviver pacificamente com os demais membros da sociedade. Na natureza, os cães corrigem uns aos outros o tempo todo, principalmente os líderes aos seus seguidores. A disciplina é realizada através da energia, expressão corporal ou toque físico. A correção, não é um castigo, mas sim uma consequência de um mau comportamento – a quebra de uma regra. As técnicas para correção são muito discutidas atualmente. Um consenso é jamais valer-se da violência. As técnicas do reforço positivo são muito utilizadas no momento, mas não funcionam para todos os animais e situações. A correção pode ser feita através de toques físicos ou sons – assim como numa matilha de lobos na natureza. O mais importante é a energia transmitida, seu estado mental e o momento da correção. As regras, limites e restrições são importantes para dizer ao cão o que ele pode ou não fazer – ele pode brincar de correr atrás de uma bola, mas não de outro cão.
  • Carinho: é o ponto da fórmula que dificilmente falta. O amor incondicional faz com que levemos os cães para conviver conosco. Porém, o carinho que não foi conquistado pode ser prejudicial aos cães, principalmente quando dado em um momento errado. É importante dar carinho após os exercícios e a alimentação, quando ele realiza um comportamento desejado ou após respeitar uma regra – somente dê carinho a uma mente calma e submissa. Quando o cão está com medo, ansioso, dominante, agressivo, chorando ou desobedecendo a uma regra, não é o momento correto para dar atenção.

Os cães nos realizam de diversas maneiras no nosso dia-a-dia, e devemos nos fazer a seguinte pergunta frequentemente: estamos realizando a vida dos nossos cães? Estamos oferecendo um lugar confortável na matilha? Segurança e proteção? Orientação e liderança? Tudo isso pode ser resumido por exercícios, disciplina e carinho.

Dr. Marcel Perez Pereira, MV – Consultório Virtual

http://comportamentocanino.vet.br/base.php?id=56 


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